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agora

por Yohanan, em 19.02.14

Agora só me resta lamentar a noite inteira e os dias que virão. Agora só me resta chorar e desejar que o tempo irreversível, já passado e quase enterrado pudesse de alguma forma voltar. Pudesse eu mudar o que já está escrito em tinta em linhas de folhas inapagáveis. Só me resta ficar na suposição do que poderia eu ter feito e não fiz. No que poderia ter acontecido se tivesse feito o que não fiz. Se tivesse eu escolhido outro caminho, um caminho de certo, não tão infeliz. Serei eu sempre assim? Será a minha vida apenas isto? Uma constante junção de milhares de opções desperdiçadas e nunca agarradas? Será a minha vida apenas e sempre isto? Fico eu paralisada com todo este medo, este medo que me invade por não conseguir ser quem desejo tanto ser. Serei sempre isto? Uma aberração do meu ideal? Farei eu sempre isto? Nunca agarrar o que me passa diante dos olhos, pelas minhas mãos, por mim. Sou dor, toda eu sou dor que me prende e me mata. Por não ser quem quero ser, por me odiar. Este odio venenoso que me intoxica e eu morro. Porque toda eu sou isto, ódio que tenho por mim.

Agora só me resta lamentar, não conseguir adormecer por me consumir de dor e chorar a noite inteira. E as noites seguintes. E os dias que virão. Fazer o que sempre fiz na minha vida, lamentar águas passadas e não conseguir, nunca ultrapassar.

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1 comentário

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De filipa. a 19.02.2014 às 12:56

os momentos de dor podem, por algum tempo, ser constantes. mas existe um em que determinados dizemos ser o último, acabando por colocar um ponto final nessa dor.

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