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Os metros

por Yohanan, em 01.11.12

Distraída, perdida nos meus pensamentos nem me apercebi onde estava, quando reparei, faltava somente uma estação para sair. Olhei em redor, naquela altura da manhã, o metro estava sempre apinhado de gente, e dei por a mim a observar cada rosto que ali estava, alguns sentados, outros em pé já preparados para sair a seguir. Todos os rostos, tristes e pobres, também eles perdidos nos seus pensamentos.

Por volta, mais ou menos da mesma hora, fazia todos os dias aquele caminho de metro, e todos os dias me vinha a aperceber, como o rosto de todas as pessoas era semelhante, nenhuma delas sorria ou largava uma simples gargalhada. Também elas faziam aquele percurso sozinhas, e naquele curto tempo, até chegarem ao seu trabalho, deixavam o mundo e caiam em si. Era no metro, o seus momentos, em que paravam de pensar no quão rápido tinham que ser para ainda conseguirem chegar a horas ou o tanto que tinham para fazer, ali não podia fazer nada a não ser esperar que chegassem ao seu destino para poderem fazer o que tinham a fazer. Ali, pensavam em si, os olhares distantes lembravam-nas os seus colossais problemas, nos erros que tinham cometido e continuavam a cometer, nas dores que não se conseguiam livrar, enfim nas suas desgraças da vida. Mas num instante ouvi um riso, o de um miúdo, ainda sem dores ou choros magoados. Algumas pessoas também o observavam, ele e a sua cena com seu pai, olhavam no com o mesmo olhar, o olhar de querer voltar a ter a sua ingenuidade e infância.

Por instantes, desde entrar e sair do metro, todas elas, todas nós, estávamos juntas sozinhas. Era agora, as portas abriram-se, levantei-me e saí. Mundo real again, hello! 

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publicado às 16:25


1 comentário

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De Teresa a 03.11.2012 às 14:10

tem dias em que também faço essa pequena inspeção nas pessoas ... faz-nos levar a um outro mundo

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